Leonilson: arquivo e memória vivos

2017 - finalizado

A exposição Leonilson: arquivo e memória vivos, com curadoria de Ricardo Resende, acontece entre 14 de março e 09 de julho de 2017 no Espaço Cultural Airton Queiroz. A mostra é resultado da pesquisa da obra e publicação do catálogo raisonné do artista.

Com uma seleção que privilegiou trabalhos inéditos do artista, a mostra apresenta pinturas, desenhos e bordados que permaneceram guardados por décadas em coleções particulares e institucionais, que o intenso e dedicado trabalho de pesquisa capitaneado pelo Projeto Leonilson permitiu localizar e reunir. Trabalhos preliminares que já esboçam a obra que estaria por vir do artista, também poderão ser vistos.

A exposição retrospectiva, pensada a partir dessa organização catalográfica da obra com seleção de cerca de 120 trabalhos, é pautada por humor e ironia característicos da obra do artista. Traz o universo iconográfico que marca sua poética, única entre os artistas da sua geração. Introspectiva na forma de uma narração íntima, a obra de Leonilson não guarda semelhança com o que se fazia nas artes nos anos 1980 e 1990 no Brasil. Uma obra excepcionalmente sensitiva.

“É no uso do repertório gráfico - signos ou palavras - que o artista expressa a sua visão de mundo, criando uma obra inconfundível no uso das formas definidas dos símbolos, do desenho das palavras, no formato dos textos, nas narrativas históricas e de estórias que criava. Fazia uso da poesia, números, nomes e listas”. Afirma Ricardo Resende, curador da mostra.

Da fase inicial do artista – a de estudante –, o primeiro trabalho é uma pintura, [Peixe], datada de 1971. É o trabalho mais antigo de que se tem conhecimento, o artista tinha apenas 14 anos de idade quando o pintou.

A segunda fase da carreira do artista, ao longo da década de 1980, coincide com o abandono da faculdade e ocasião em que participa de suas primeiras exposições em museus, como Cartas a um amigo, no Museu de Arte Moderna da Bahia MAM Bahia; Desenho Jovem, 1980, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC USP e, neste mesmo ano, também participa da tradicional mostra Panorama de Arte Atual Basileira, organizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM SP.

A terceira e última fase de Leonilson é a mais cultuada pelos críticos de arte. Trata-se do momento mais intenso e dramático de sua obra, no qual o artista tem a coragem de tratar temas polêmicos, como a  Aids, ainda hoje um tabu. É no final de sua vida, entre os anos 1990 e 1993, que sua obra se torna dilacerante e afiada, quando o artista atinge a maturidade de sua técnica artística. Ao mesmo tempo que toca pela delicadeza e simplicidade dos materiais utilizados, por outro lado fere como uma punhalada, com suas verdades incontestes nos desenhos, figuras e palavras. Trabalhos que expressam a ansiedade dolorosa ao deparar-se com a morte quando descobre-se doente.

A exposição assume o caráter retrospectivo e não se furta em trazer para o público os trabalhos inéditos e as 'chaves' para o que se considera a composição dessa obra, expressas por meio dos signos que exprimem as emoções humanas na representação dos fenômenos naturais. Dos fragmentos da condição humana e dos dilemas do homem comum traduzidos em palavras e números. É uma obra autobiográfica e crucial para se pensar a arte no final do século XX. Intimista, infalível, comovente, poética, simples e sincera na sua autoexposição. Diário de uma intimidade revelada ao não fazer distinção do que seria público do privado.

SERVIÇO
Leonilson: arquivo e memória vivos
Visitação gratuita de 14 de março à 09 de julho de 2017.
Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 9h às 19h; sábados, das 10h às 18h; domingos, das 12h às 18h.
Espaço Cultural Unifor
Av. Washington Soares, 1321, Bairro Edson Queiroz
Mais informações: (85) 3477-3319 | espacocultural@unifor.br